Reciclagem
A reciclagem sempre deve iniciar na cozinha. As maiores dificuldades do processo de reciclagem de resíduos domésticos têm sua origem neste local e os problemas decorrentes de procedimentos ineficientes nesta etapa provocam uma desvalorização do material a ser reciclado.
O chamado lixo seco, aqueles que possuem valor de mercado e que movimentam um nicho econômico conhecido (garrafas pet, latas de alumínio etc.) têm que estar livre de qualquer resíduo. Aqueles que originalmente armazenavam produtos úmidos devem ser lavados, bem como os plásticos e demais recipientes utilizados para o transporte do material orgânico até o local de decomposição controlada (comumente chamada de compostagem).
Os chamados lixos molhados ou orgânicos deverão ser armazenados e transportados para o local de “decompostagem” em vasilhame pequeno e com tampa, afim de que não se inviabilize seu deslocamento por uma pessoa de baixa estatura ou pequeno porte físico. Antes de serem colocados nestes recipientes deverão ser selecionados por espécie de produto. Por exemplo: resíduo animal em um recipiente, restos de comida cozida em outro, verduras em outro e assim por diante.
Na Decomposteira...
Após o transporte até o local da “decompostagem”, aqueles não cozidos (alimento cru) deverão ser triturados, retirando-se o excesso de água. Os cozidos, não tendo necessidade de serem triturados, também devem ter o excesso de água extraído, pois na decomposição feita por microrganismos o limite de umidade tolerável é de 56 %.
Durante a decomposição, além da necessidade de se manter a oxigenação, ter-se-á que fornecer água, pois no processo de decomposição ocorre grande consumo deste recurso devido ao aquecimento, por evaporação e/ou evapotranspiração. Deve-se resfriar o material em decomposição, pois os microrganismos decompositores sobrevivem somente a temperaturas máximas de 60°C. Neste nível de umidade e de resfriamento o próprio sistema “dá um alarme”. Estando em equilíbrio (de temperatura e umidade) não emite odores. Caso exista algum desequilíbrio neste processo o material em decomposição exalará odores, o que se pode corrigir de imediato, borrifando água e/ou retirando-se um pouco de material da parte inferior, podendo este último ser encaminhado a outro local para maturação ou poderá ser retornado para cima da pilha. Havendo maior intensidade na aeração o mau cheiro cessa. Ao ser colocado o material triturado e prensado no sistema, este deverá ser bem espalhado para que a superfície não fique com ondulações devendo ser coberto com material de partículas finas e seco para que possa ainda absorver o excesso de água restante além de evitar atração de vetores; no dia seguinte coloca-se o novo material sobre aquele. Depois de proceder da mesma forma do dia anterior cobrindo novamente com uma camada de mais ou menos 5 cm, desde que não fique nenhum novo material exposto.
Os resíduos animais, carne ou peixe, deverão ser colocados por último no recipiente que armazena o lixo orgânico na cozinha, para que fiquem embaixo do outro material quando forem para a pilha de decomposição (ao se virar o recipiente na decomposteira o material que estiver por cima - restos animais - ficará por baixo). Este procedimento evitará a atração de moscas. Aquela água extraída deste material deverá ser fornecida gradativamente, porque além de auxiliar no resfriamento ela aumenta a sua capacidade de decomposição como também de fertilização do produto final que é o húmus.
Após 45 dias na região sudeste do Brasil já se pode retirar o material decomposto, caso exista necessidade de espaço. Do contrário não há problema em permanecer na pilha por mais tempo.
Sendo retirado o material decomposto ele deverá ir para outra pilha denominada pilha de maturação, onde a decomposição é bem mais lenta. Neste momento surgem os chamados “mesorganismos” (insetos, e.g.) que fragmentam quase todo esse material em partículas de menor tamanho. Mesmo nesta pilha o material ainda deverá ser umedecido para a sobrevivência dos decompositores que darão qualidade biológica ao produto. Esse grau de umidade poderá ser observado pressionando uma porção do material (já inerte) na mão. Se essa se compactar ficando a marca dos dedos e a mão continuar limpa a umidade está correta. Se a porção se desmanchar, estará seca. Se pingar água estará com excesso.
Tratamento de Esgoto
Todo o esgoto advindo da casa é recebido em uma caixa com divisória (esta não chega até o fundo) para que a parte gordurosa não passe para a frente . O sólido vai se depositando no fundo e o líquido passa por filtro que é composto de camadas de pedras 4, pedra 2 e por último, areia. Na parte arenosa ficam as plantas de raízes purificadoras. Este filtro é proporcional ao esgoto produzido. A água a ser filtrada entra por cima e desce por um anteparo que a leva e ser filtrada de baixo para cima onde tem uma laje perfurada, a 30 cm do fundo. Partindo do fundo primeiro coloca-se a pedra 4, depois a 2 que é coberta com uma fina tela de nylon onde é depositada a areia grossa e onde residem as plantas purificadoras e oxigenadoras. Na outra extremidade do filtro é construído um reservatório proporcional à água tratada e para seu consumo é colocada uma bomba de recalque para uso em várias atividades, tais como obras, descargas sanitárias, irrigação de jardins, lavagem de áreas. A parte sólida é transferida para outra caixa através de um tampão no fundo da caixa de floculação e retirado de tempos em tempos para utilização como adubo. No reservatório pode-se colocar peixes, patos, marrecos, etc.
<esquema do tratamento do esgoto doméstico>
Casa de Reciclados
Idealizada e realizada por Luiz Toledo de Sá esta casa é feita, quase na sua totalidade, de material reciclado. Suas paredes externas são inteiramente de material reciclado, constituídas de resíduos de obras e demolições jogados à beira de estradas ou tijolos que já fizeram parte de alguma construção. Internamente, na residência, as paredes são de sacos de cimento, caixas de ovos e de maçãs, o que garante uma temperatura estável. O salão ou auditório possui revestimentos como cacos de vidro, bandejas de isopor que já foram utilizadas para plantio de mudas de hortaliças, esterco fresco de bezerro, etc. Para quem quer gastar pouco dinheiro o corredor dá algumas idéias baratas de paredes: latas de óleo, tijolos de caixas de leite, pets, adobe, garrafas de wisk. O piso é todo em restos de marmoraria. As paredes externas são revestidas ou por fundos de pets ou garrafas. A cozinha de fogão de lenha tem suas paredes de entulhos de obra também revestidas de garrafas, sendo a água do banho aquecida através de serpentinas. O estacionamento é feito de pneus, bem como, algumas escadas. O telhado possui telhas de cascas de café (material básico), restos de papelão e madeira ou tetra pak (caixas de leite). A descarga sanitária é feita com água oriunda do tratamento do esgoto doméstico, que é também destinada a irrigação de jardins, lavagem de áreas. Há, também, o aproveitamento da água de sabão proveniente da lavanderia servindo também para limpeza de área, ou utilizadas para limpeza de banheiros.
A casa possui ainda um biodigestor para produção de biofertilizante (defensivo biológico produzido através de fezes bovinas) e gás que será futuramente canalizado para aproveitamento.
A caderno Razão Social do Jornal O Globo retratou este trabalho do Professor Toledo na edição do dia 06/10/2009. Assista o video da reportagem elaborada por Cristiane de Cássia.
CREIA
O Condomínio Rural Ecológico Integrado Autossustentável é uma idéia que Luiz tem para que 20 famílias possam desfrutar de um sistema de vida com economia solidária. Para tanto, já montou toda a infra-estrutura de um sistema ecológico como tratamento dos resíduos sólidos, do esgoto, produção de defensivo biológico, plantio de mata, área de lazer, oficina, ferramentaria, maquinários, galpão de reciclagem, curral, galinheiro, pocilga, cozinha industrial, lavanderia, estufa de ornamentais, horta, auditório, etc.
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