Muitos anos de pesquisa empírica foram necessários para que o professor Toledo criasse a "Decomposteira". O nome foi dado ao recipiente que permite a compostagem contínua dos resíduos orgânicos domiciliares, conhecido em algumas regiões como "lixo molhado".
- A idéia da decomposteira contrapõem as tradicionais pilhas ou leiras de compostagem, ensinada nas universidades brasileiras - afirma o biólogo.
No sistema criado pelo professor a matéria orgânica não necessita ser "revirada" para promover a aeração da pilha de compostagem, o que reduz fortemente os custos de produção do composto orgânico, importante adubo para plantas domiciliares.
Quem promove a decomposição da matéria orgânica são principalmente os microrganismos saprófagos (que se alimentam de matéria orgânica morta) e outros organismos fragmentadores. Todos estes seres só conseguem sobreviver em ambientes aeróbicos, ou seja, na presença de oxigênio. Se faltar este elemento os organismos morrem e a decomposição desacelera fortemente.
No sistema tradicional de compostagem de resíduos orgânicos os materiais a serem decompostos são colocados em camadas sucessivas, normalmente alternando materiais orgânicos de rápida com os de lenta decomposição, até que se atinja a altura aproximada de 1,50 m. Porém, a partir da fermentação que ocorre no interior da pilha de resíduos (devido à anaerobiose - falta de oxigênio - gradativa) ocorre um aumento de temperatura que pode causar, em casos extremos, incêndios expontâneos no material. Mas o pior é que o aquecimento indica paralização na decomposição da matéria orgânica. Para que o aquecimento não aconteça é necessário revirar a pilha (ou a leira) de compostagem para promover a aeração do material. O problema desta prática é que ela demanda grandes investimentos em maquinários pesados (tratores, pás-carregadeiras, etc.) e/ou em mão-de-obra. Este custo torna inviável este sistema de compostagem, pois o preço de mercado do produto final (composto orgânico) não é suficiente para cobrir tais despesas. Por fim, pode-se ressaltar que o ambiente de trabalho para revirar as leiras torna-se insalubre devido à presença de gases tóxicos como amônia e gás sulfídrico que emanam da pilha de compostagem e podem provocar diversos tipos de doenças respiratórias nos trabalhadores, além de temperaturas elevadas nas proximidades.
A "decomposteira", processo registrado no INPI sob o número PI0105738-3 (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), consiste num processo contínuo de compostagem, onde a matéria orgânica "fresca" é depositada sobre a pilha pré-existente dentro do recipiente e, à medida que desce em altura vai alcançando estádios mais avançados de decomposição, até que chegue na parte mais baixa da decomposteira totalmente mineralizada, na forma de húmus.
- A decomposteira possui aeradores espontâneos, que consistem em orifícios laterais que permitem que o oxigênio alcance o centro do recipiente, fornecendo de maneira contínua o oxigênio necessário à vida dos organismos decompositores - afirma o biólogo.
Logicamente os orifícios são dimensionados entre si de tal forma que a distância entre a fonte de aeração (orifício) e o interior de qualquer ponto dentro da pilha de matéria orgânica que a decomposteira suporta não seja demasiada, impedindo que a condição de ausência de oxigênio se estabeleça.
O custo da produção de húmus com o uso da decomposteira pode ser muitas vezes menor, quando comparado ao sistema tradicional de compostagem em leiras ou pilhas, pois não há gastos com mão-de-obra ou maquinários para reviragem da pilha de resíduos. Além disso, a velocidade de decomposição da matéria orgânica torna-se significativamente maior, pois os organismos que trabalharam a decomposição dos resíduos mais baixos são os mesmos que atuarão na decomposição daqueles dispostos sobre os primeiros.
- É muito difícil dimensionar a velocidade de decomposição do resíduo orgânico na decomposteira, pois o lixo orgânico doméstico possui composição química demasiadamente heterogênea. Logicamente um talo de alface desaparecerá muito mais rapidamente do que um osso de galinha. Os resíduos que, ao serem retirados na abertura inferior da decomposteira, ainda estiverem parcialmente decompostos deverão ser separados por peneiramento do húmus, sendo jogados novamente na parte superior do recipiente para que passem mais uma vez pela eficiente fauna de organismos decompositores – afirma o professor.
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